Por Alexandre Koda
Chamou a minha atenção uma notícia publicada no site da IAAF, a Associação Internacional das Federações de Atletismo, que mostrava uma corrida organizada em meio à Floresta Amazônica. Em princípio pensei se tratar da Jungle Marathon, que está em andamento essa semana, mas ao ler a notícia percebi que se tratava do Brasil para gringo ver.
Explico: a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT) organizou no último dia nove em Manaus (cidade sede da entidade) uma competição de atletismo para crianças de diversas tribos locais. Diz o texto publicado no site da IAAF que o evento foi uma nova iniciativa da Federação brasileira para mostrar que até a floresta pode ser palco para atletas.
O evento teve patrocínio da Caixa Econômica Federal e contou com uma platéia de peso, composta por 10 membros da IAAF, incluindo o presidente Lamine Diack. A saltadora de ouro do Brasil Maurren Magi também esteve presente, com sua filha de três anos Sophia.
Segundo Roberto Gesta de Melo, presidente da CBAT, entre esses índios nativos certamente há crianças que poderiam ser atletas profissionais no futuro. Estamos orgulhosos de poder mostrar um pouco sobre esse esporte e dá-los a chance de se encontrar com campeões olímpicos.
O mais curioso é que a competição aconteceu em Manaus, mas a introdução do texto passa a impressão que se trata de uma localidade no Rio de Janeiro, já que começa da seguinte forma: Rio de Janeiro, Brasil O atletismo (…). Nosso país tem fama entre os estrangeiros de abrigar apenas índios e de vivermos em florestas em meio a animais selvagens e certamente essa matéria contribui para essa imagem, já que leitores do mundo todo acessam o site da IAAF.
Apenas para efeito de registro, durante a realização da São Silvestrinha de 2006 (prova com chancela da CBAT), segundo relato de uma leitora do blog do colega Rodolfo Lucena, os locutores da prova trataram uma índia Xavante como débil mental. Será que o referido evento na floresta foi uma retratação, ou apenas mais um evento politicamente correto para mostrar a preocupação do mundo moderno com a questão indígena? Ou então apenas um evento que gringo gosta de ver? Afinal, Amazônia lembra índios, cobras, floresta…Fica a questão…
Na foto: Maurren Maggi com o Presidente da CBAt Roberto Gesta de Melo. Credito: Bruno Miani/ Divulgação CBAt
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Este texto foi escrito por: REDAÇÃO WEBRUN